Coimbra, 1542, Camões estudava no colégio de Santa Cruz: era o que menos estudava e o que mais sabia!
Era um homem romântico, namoradeiro e muito boémio, gostava muito da "malandrice". Viveu numa Era de grandes diferenças, entre os fidalgos e os plebeus.
Em 1545 vai para Lisboa e já é bacharel; meses depois, nos Paços do Rei Rei D.Manuel, conhece a sua grande paixão, Catarina de Ataíde. Era um grande poeta, espontâneo: onde chegava tinha sempre um poema para declamar e era muito aplaudido.
Por causa do "Auto del Rei Seleuco", Camões foi expulso para o Ribatejo, acusado de intrigas contra o rei. Dois anos esteve exilado no Ribatejo, mas os amigos, achando que já era tempo suficiente de exílio, pediram ao Rei a sua volta e Camões voltou para Lisboa.
O corregedor da Justiça prendeu o seu próprio filho com apenas dezoito anos, por desrespeitar a Infanta D. Maria, irmã do rei, indo espreitar à sua janela.
Aproveitando este desacato, a filha do corregedor, movida pelo ciúme, com o apoio de Pero Andrade de Caminha, armou uma cilada a Camões e à Infanta, marcando um encontro na varanda das galés, tendo a Beatriz escrito um bilhete a Camões em nome da Infanta.
Para não ser preso, em 1547, Luís parte para Ceuta onde os mouros formam um ataque e Camões é atingido perdendo a vista, daí este usar uma pala preta. Luís regressa a Lisboa em 1550 e espanta todos ao verem-no cego, usando a pala, mais velho, mudado, não parecendo o mesmo boémio.
Em 1562, no dia da procissão do Corpo de Deus, vendo Camões o homem a quem teria jurado matar por o ter atacado pelas costas, envolve-se em mais uma luta e encontra um oficial de justiça que lhe deu vós de prisão. As mulheres lamentaram e choraram a sua prisão, entre elas a sua amada
Luís, com os seus amigos, resolvem partir para a Índia com a ordem do Rei. Em 1553 Camões segue a rota
Ao regressar, Luís trás uma linda mulher escrava que morre no naufrágio e, lutando contra a maré, salvou o seu poema maior "Os Lusíadas" a nado, conta a lenda.
Em 1572, os Lusíadas são lidos em Lisboa não tendo sido censurado nada do que lá estava escrito e Portugal fica mais rico. Dão Sebastião fica encantado dizendo que o livro iria com ele para África para nunca esquecer os feitos gloriosos dos portugueses.
Em 1578, a armada de Dão Sebastião vai para Marrocos mas não volta. Começa uma nova fase de Portugal: a decadência. E com ela, a decadência do nosso grande poeta Luís de Camões que morre velho, pobre, só e cansado!
CONCLUSÃO:
Luís de Camões, um homem cem por cento Português...
PORQUÊ? Um homem patriota, escreveu "Os Lusíadas", que contam toda a história de Portugal, os feitos gloriosos dos Portugueses e, em particular, a descoberta do caminho marítimo para a Índia
Era romântico, escreveu muitos poemas de amor, sobre as mulheres amadas, entre elas o seu grande amor, Catarina de Ataíde.
Era um boémio e tinha uma personalidade forte não se deixando intimidar. Luís de Camões foi um dos maiores escritores portugueses, não só pelo seu talento, mas também pelo seu patriotismo.
Viveu na época do renascimento, no século XV.
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
Descalça vai para a fonte
Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.
Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.
Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.
Luís de Camões
Perdigão perdeu a pena
Perdigão perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha.
Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.
Quis voar a u~a alta torre,
Mas achou-se desasado;
E, vendo-se depenado,
De puro penado morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha:
Não há mal que lhe não venha.
Luís de Camões
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
O dia em que nasci moura e pereça,
O dia em que nasci moura e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar;
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.
A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.
Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!
Luís de Camões
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