Chamava-se
Um avô corsário por parte da mãe:
Chamava-se d’Hedois du Bocage e era um homem do mar que se tornou corsário. Foi nomeado Coronel da Armada Real Portuguesa. Em 1920, com 62 anos, instalou-se em Lisboa. Aí conheceu uma rapariga com 20 anos chamada Clara Francisca Joaquina Xavier Lustoff, filha
A A infância do poeta: Bocage aprendeu a ler em casa com a mãe aos 5 anos, aos 8 anos lia e escrevia tão bem que causava admiração. Fez a sua primeira quadra com essa idade.
Problemas familiares:
Passado algum tempo do poeta ter nascido, a família foi viver para Beja. Quando passaram pelo Alentejo receberam uma notícia muito desagradável: seu pai foi acusado por se ter apropriado de dinheiros públicos, por isso, foi preso. Foi mandado para a cadeia de Setúbal, depois para a cadeia de Limoeiro em Lisboa. Cumpriu pena de 6 anos. A mulher nunca acreditou que o homem fosse culpado. Ela estava tão triste e envergonhada que voltou para Setúbal com as crianças. Bocage perdeu a mãe aos 10 anos, ele ficou com o pai e com os irmãos. O desgosto que ele teve de perder a mãe registou-o num poema. O poema é o seguinte:
Aos dois lustros * a Morte devorante
Me roubou, terna Mãe, teu doce agrado,
Segui Marte depois, e enfim meu Fado
Dos Irmãos e do Pai me pôs distante.
* Lustros – são cinco anos de idade.
Estudos e opções:
O primeiro professor do Bocage foi o padre
A vida boémia em Lisboa:
Ele estudava: Geometria, Aritmética, Artilharia e Língua Francesa, Manejo de armas e desenho. E recebia 6 mil réis de ordenado por trimestre. Frequentava muitos cafés e bares sobretudo o café Nicola no Rossio. Por tradição, certa altura em que a polícia o surpreendeu no meio da rua e lhe perguntou:
«Quem és tu, de onde vens e para onde vais?» - terá respondido de imediato. «Sou o poeta Bocage
Venho do café Nicola , Vou parar ao outro mundo, Se disparas a pistola!»
A viagem para a Índia:
No dia 14 de Abril de 1786, Bocage saiu de Lisboa a bordo da nau Nossa Senhora da Vida, Santo António e Madalena. A travessia do Oceano Atlântico foi muito atrasada por causa de grandes tempestades. Só
Bocage na Índia:
No dia 28 de Outubro de 1786, Bocage desembarcou em Goa. Bocage não gostou de Goa, por isso, resolveu escrever um poema:
«Das terras a pior és tu, Goa,
Tu pareces mais ermo que cidade,
Mas alojas em ti maior vaidade
Que Londres, que Paris ou que Lisboa.»
Bocage em Damão:
Em Fevereiro de 1789, foi promovido a tenente de infantaria. Nessa qualidade embarcou na fragata Santa Ana e seguiu para Damão, onde chagou no dia 6 de Abril de 1789. Passaram- se dois dias e ele fugiu!
Bocage em Macau:
Há quem diga que Bocage, depois de abandonar Damão, dirigiu – se para Macau, mas também consta que ele desembarcou em Macau porque sofreu um naufrágio na zona. Em Janeiro de 1970, o poeta tomou a nau Marquês de Angeja para regressar a Lisboa.
De novo em Lisboa:
Quando chegou a Lisboa estava tudo mudado por causa da Revolução Francesa. Nos cafés só se discutia política. Bocage escreveu um «Soneto à Liberdade». Entretanto surgiu em
Bocage na Nova Arcádia:
Todos os elementos tinham de ter um pseudónimo literário e devia lembrar os nomes dos pastores das poesias clássicas. Bocage escolheu e Elmano Sadino. Elmano porque quis usar as letras do seu primeiro nome Manuel, ou seja, quis fazer um anagrama. Sadino, em honra do rio Sado que banha Setúbal. O primeiro livro que saiu foi «Rimas», em 1791.
Vida boémia e amigos extravagantes:
Bocage na prisão:
O independente Pina Manique tinha organizado uma polícia secreta que vigiava toda a cidade de Lisboa, principalmente os cafés e botequins (bares) apoiando as ideias da Revolução Francesa. Por ter poemas a ofender a Igreja e a Religião, Bocage foi condenado a ir para um convento passar dois anos para ser reeducado.
Bocage no convento:
O primeiro convento onde ele cumpriu pena foi o de S. Bento. O frade que o recebeu nesse convento escreveu a 17 de Fevereiro de 1798 o seguinte:
«Foi mandado para este mosteiro pelo Tribunal do Santo Ofício célebre poeta
Este registo demonstra o apareço dos frades pela pessoa de Bocage. O poeta foi muito bem tratado naquele convento. Passado algum tempo, o poeta foi transferido para o «Real Hospício da Nossa Senhora das Necessidades» que era dos padres Oratorianos. Os padres desta Ordem ocupavam–se da Educação de rapazes. O poeta saiu do convento muito mais sereno. Morreu pobre e doente, como o seu ídolo Luís de Camões, no dia 21 de Dezembro de 1805.
O poema que nós mais gostámos foi:
Título: Versos (versos que tratam os frades com o total desrespeito)
Entre um frade e entre um burro
Há tanta conformidade
Que ou o frade é pai do burro
Ou o burro é pai do frade.
Casou um bonzo da China
Com uma mulher feiticeira,
Nasceram três filhos gémeos,
Um burro, um frade e uma freira .
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