segunda-feira, 7 de julho de 2008

AGRADECIMENTOS

Queremos agradecer o excelente trabalho de todas as professoras. Todos juntos ultrapassámos muito bons e bons momentos. Mas todos juntos conseguimos chegar ao fim. E saímos todos muito enriquecidos desta caminhada de convivência de grandes momentos de alegria. Para tudo se quer sorte e nós tivemos o privilégio de encontrar um grupo de professores com a capacidade de ensinar muito, a quem abandonou a escolaridade há bastante tempo. Deixaram de estudar para aprender a escola da vida, tal como trabalhadores, chefes de família e pais que somos.

Este EFA 3 só deseja ao próximo EFA que tenha a sorte de ter como professores aquelas que nos ajudaram a chegar ao fim, para todas estas professoras desejamos muita saúde e que continuem a ensinar um pouco do muito que sabem.

Muito obrigada

A todas as professoras

Em nosso nome

E do grupo!

CESÁRIO VERDE



Cesário Verde foi uns dos melhores poetas do seu tempo e também o mais original.

O poeta foi o segundo filho de um comerciante de ferragens em Lisboa, nasceu no dia 25 de Fevereiro em 1855.

O pai tinha de nome José Joaquim e ao filho deram-lhe o nome do pai e acrescentaram-lhe Cesário Verde por nesse dia ser o dia daquele Santo.

A família era unida e vivia a maior parte do seu tempo em Lisboa.

Em 1856, a família refugiou-se numa quinta em Linda-a-Pastora. Actualmente, esta localidade é uma zona da cidade, mas em pleno século XIX, só lá havia quintas.

Em 1857, a família voltou a refugiar-se nessa quinta, para fugir a uma epidemia de cólera. Em 1869, a família herdou a quinta e o pai acrescentou terrenos para cultivo, fruta, legumes e vinha.

Cesário Verde era um moço de rosto e alma serena, olhos perscrutadores e cheio de aspirações.

Cesário Verde fez o exame de instrução primária aos 10 anos de idade. A partir daí, não se soube onde estudou, aos 18 anos inscreveu-se no curso de letras em Lisboa, mas só frequentou alguns meses.

A partir dos 16/17 anos passou à actividade comercial e iniciou-se como poeta. Foi num ano pródigo e excelente.

Os críticos, na época, não gostaram dos poemas de Cesário e não hesitaram em ridicularizá-lo publicamente.

No ano 1885, Cesário Verde começou a sentir-se doente. A família tinha voltado à capital e uma maldita tuberculose abriu-lhe cavernas que o obrigaram a despedir-se de todos e do mundo.

Como todos os intelectuais daquele tempo, Cesário não chegou a viver um ano em Paris, como tanto queria...

"E agora, de tal modo a minha vida é dura,
Tenho momentos maus, tão tristes, tão perversos,
Que sinto só desdém pela literatura,
E até desprezo e esqueço os meus amados versos!"

Cesário Verde

MAIS POEMAS DE CESÁRIO VERDE:


EÇA DE QUEIRÓS


José Maria Eça de Queirós é um dos mais conhecidos e conceituados escritores portugueses.

Tinha um extraordinário talento para transmitir as suas ideias, foi uma figura marcante e ocupa um lugar de destaque na História de Portugal. Foi filho de pais país solteiros e, nessa altura, era uma vergonha ser mãe solteira, nasceu a 21 de Novembro de 1845 e foi entregue a uma AMA que vivia em Vila do Conde.

Há quem diga que Eça sofreu imenso por se sentir rejeitado e, por isso, é que nunca escreveu nada sobre a sua infância e quase nunca falou dela, viveu com a avó num solar.

O seu primeiro professor, foi um padre que o ensinou a ler e a escrever. Aos 10 anos, com a morte da avó, vai para o Porto e estuda no colégio da Lapa, depois foi para a Universidade de Coimbra inscreveu-se no curso de direito, foi nos tempos estudante que publicou pela primeira vez um artigo na revista” Gazeta de Portugal”.

Em 1866, já formado em Direito, volta a Lisboa, inscreveu-se como advogado no Supremo Tribunal de justiça mas nunca advogou. Começou por ser jornalista e criou o seu primeiro jornal. De volta a Lisboa, fundou um clube de artistas e escritores “O Cenáculo”.

Em 1869, viaja para o Egipto que lhe serviu de inspiração e cenário para alguns capítulos do romance “A Relíquia”. A 21de Julho de 1870, foi nomeado administrador do conselho de “Leiria”, nesta cidade inicia a sua carreira de escritor, em Setembro de 1870, Eça prestou provas para cônsul e ficou em primeiro lugar.

Em 1872, partiu para Cuba como Cônsul de Portugal e aí teve dois casos com duas Americanas, uma casada e uma solteira. Em 1874 foi para Inglaterra como cônsul de Portugal, aí escreveu o seu primeiro romance “O Crime do Padre Amaro" e "O Primo Basílio”. Vem de férias a Portugal e casa-se, vai de lua de mel para “Madrid, Paris e Londres”. Neste contexto, Eça de Queirós escreveu um conto chamado A"dão e Eva no paraíso".

Em 1883, foi para Paris como cônsul de Portugal, onde viveu até à sua morte, em 1900. Dois episódios curiosos da sua vida: O Prémio D. Luís em 1887 e A Ovação em 1898.


BOCAGE


Chamava-se Manuel Maria de Barbosa du Bocage. Foi um dos maiores poetas do seu tempo. Viveu no século XVIII em permanente agitação e com grade ânsia de liberdade. Fez poemas de amor, de ciúme, de desânimo, de raiva, de remorsos e de morte. Fez várias críticas à sociedade, à igreja, a amigos e inimigos. Ousou falar de assuntos que nunca antes tinham sido mencionados. A primeira pessoa a fazer uma biografia de Bocage chamava-se António Maria do Couto.

Um avô corsário por parte da mãe:
Chamava-se d’Hedois du Bocage e era um homem do mar que se tornou corsário. Foi nomeado Coronel da Armada Real Portuguesa. Em 1920, com 62 anos, instalou-se em Lisboa. Aí conheceu uma rapariga com 20 anos chamada Clara Francisca Joaquina Xavier Lustoff, filha de um rico comerciante Holandês. No dia 12 de Junho de 1920, casaram-se e a grande diferença de idades (20 anos) não causou problemas. Do casal nasceram duas filhas: Antónia Inácia Josefa e Mariana Joaquina.

Um avô homem de leis por parte do pai:

Chamava -se Luís Barbosa Soares e vivia em Setúbal desempenhava um cargo muito importante como tabelião da Câmara. Teve doze filhos, sete dos quais eram rapazes.

A A infância do poeta: Bocage aprendeu a ler em casa com a mãe aos 5 anos, aos 8 anos lia e escrevia tão bem que causava admiração. Fez a sua primeira quadra com essa idade.

Problemas familiares:

Passado algum tempo do poeta ter nascido, a família foi viver para Beja. Quando passaram pelo Alentejo receberam uma notícia muito desagradável: seu pai foi acusado por se ter apropriado de dinheiros públicos, por isso, foi preso. Foi mandado para a cadeia de Setúbal, depois para a cadeia de Limoeiro em Lisboa. Cumpriu pena de 6 anos. A mulher nunca acreditou que o homem fosse culpado. Ela estava tão triste e envergonhada que voltou para Setúbal com as crianças. Bocage perdeu a mãe aos 10 anos, ele ficou com o pai e com os irmãos. O desgosto que ele teve de perder a mãe registou-o num poema. O poema é o seguinte:

Aos dois lustros * a Morte devorante

Me roubou, terna Mãe, teu doce agrado,

Segui Marte depois, e enfim meu Fado

Dos Irmãos e do Pai me pôs distante.

* Lustros – são cinco anos de idade.

Estudos e opções:

O primeiro professor do Bocage foi o padre João Medina que lhe dava lições particulares de Latim. Eles não tinham muitas condições e por isso não podiam ir estudar os dois filhos para a Universidade de Coimbra. Pelas normas daquele tempo, tinha direito a ir o mais velho. Aos 15 anos entrou para o e Exército. A 5 Setembro foi transferido para a marinha, por isso teve de mudar- se para Lisboa.

A vida boémia em Lisboa:

Ele estudava: Geometria, Aritmética, Artilharia e Língua Francesa, Manejo de armas e desenho. E recebia 6 mil réis de ordenado por trimestre. Frequentava muitos cafés e bares sobretudo o café Nicola no Rossio. Por tradição, certa altura em que a polícia o surpreendeu no meio da rua e lhe perguntou:

«Quem és tu, de onde vens e para onde vais?» - terá respondido de imediato. «Sou o poeta Bocage

Venho do café Nicola , Vou parar ao outro mundo, Se disparas a pistola!»

A viagem para a Índia:

No dia 14 de Abril de 1786, Bocage saiu de Lisboa a bordo da nau Nossa Senhora da Vida, Santo António e Madalena. A travessia do Oceano Atlântico foi muito atrasada por causa de grandes tempestades. Só em finais de Junho ancoraram na costa brasileira. A nau depois seguiu para a Índia com a paragem na ilha de Moçambique para reabastecer água. Há quem diga que nessa paragem Bocage escreveu um poema para a rapariga de quem gostava e que era de Setúbal e se chamava Gertrúria.

Bocage na Índia:

No dia 28 de Outubro de 1786, Bocage desembarcou em Goa. Bocage não gostou de Goa, por isso, resolveu escrever um poema:

«Das terras a pior és tu, Goa,

Tu pareces mais ermo que cidade,

Mas alojas em ti maior vaidade

Que Londres, que Paris ou que Lisboa.»

Bocage em Damão:

Em Fevereiro de 1789, foi promovido a tenente de infantaria. Nessa qualidade embarcou na fragata Santa Ana e seguiu para Damão, onde chagou no dia 6 de Abril de 1789. Passaram- se dois dias e ele fugiu!

Bocage em Macau:

Há quem diga que Bocage, depois de abandonar Damão, dirigiu – se para Macau, mas também consta que ele desembarcou em Macau porque sofreu um naufrágio na zona. Em Janeiro de 1970, o poeta tomou a nau Marquês de Angeja para regressar a Lisboa.

De novo em Lisboa:

Quando chegou a Lisboa estava tudo mudado por causa da Revolução Francesa. Nos cafés só se discutia política. Bocage escreveu um «Soneto à Liberdade». Entretanto surgiu em Lisboa um clube de poetas que se chamava «Nova Arcádia»

Bocage na Nova Arcádia:

Todos os elementos tinham de ter um pseudónimo literário e devia lembrar os nomes dos pastores das poesias clássicas. Bocage escolheu e Elmano Sadino. Elmano porque quis usar as letras do seu primeiro nome Manuel, ou seja, quis fazer um anagrama. Sadino, em honra do rio Sado que banha Setúbal. O primeiro livro que saiu foi «Rimas», em 1791.

Vida boémia e amigos extravagantes:

Manuel Maria de Bocage fazia grandes noitadas, apanhava grandes bebedeiras, participava em distúrbios, dizia e escrevia tudo o que lhe vinha à cabeça.

Bocage na prisão:

O independente Pina Manique tinha organizado uma polícia secreta que vigiava toda a cidade de Lisboa, principalmente os cafés e botequins (bares) apoiando as ideias da Revolução Francesa. Por ter poemas a ofender a Igreja e a Religião, Bocage foi condenado a ir para um convento passar dois anos para ser reeducado.

Bocage no convento:

O primeiro convento onde ele cumpriu pena foi o de S. Bento. O frade que o recebeu nesse convento escreveu a 17 de Fevereiro de 1798 o seguinte:

«Foi mandado para este mosteiro pelo Tribunal do Santo Ofício célebre poeta Manuel Maria de Bocage bem conhecido na corte pelas suas poesias e não menos pela sua instrução.»

Este registo demonstra o apareço dos frades pela pessoa de Bocage. O poeta foi muito bem tratado naquele convento. Passado algum tempo, o poeta foi transferido para o «Real Hospício da Nossa Senhora das Necessidades» que era dos padres Oratorianos. Os padres desta Ordem ocupavam–se da Educação de rapazes. O poeta saiu do convento muito mais sereno. Morreu pobre e doente, como o seu ídolo Luís de Camões, no dia 21 de Dezembro de 1805.


O poema que nós mais gostámos foi:

Título: Versos (versos que tratam os frades com o total desrespeito)

Entre um frade e entre um burro

Há tanta conformidade

Que ou o frade é pai do burro

Ou o burro é pai do frade.


Casou um bonzo da China

Com uma mulher feiticeira,

Nasceram três filhos gémeos,

Um burro, um frade e uma freira .

FLORBELA ESPANCA


Florbela Espanca era uma mulher de temperamento apaixonado, era inquieta, ansiosa, insatisfeita e insaciável; era uma mulher de muito talento, "capaz de talhar um soneto como quem talha um vestido" e teve a coragem de escrever para o papel os seus estados de alma. Por isso deixou uma obra poética que surpreende e encanta.

No seu nascimento, no ano de 1894, filha de mãe solteira e pobre numa época em que as mulheres não tinham direitos, a mãe aceitou que o pai levasse a menina assim que nasceu, o que representou um enorme sofrimento para as duas. Nos primeiros tempos, a mãe ia todos os dias amamentar a filha e assim conseguia matar saudades, nas deve ter sido uma experiencia difícil tanto para a mãe como para a dona da casa.

A relação entre a mãe e o pai da Florbela durou muitos anos, de onde nasceu outra criança, sendo desta vez um rapaz dando pelo nome de Apeles, que veio a ser marinheiro aviador aos 29 anos, morrendo num terrível acidente de avioneta no rio Tejo, desaparecendo para sempre devido ao lodo do rio.

Os vários casamentos de Florbela... Aos 19 anos estava apaixonada e casou-se com Alberto Moutinho e terminou o ensino secundário. Inscreveu-se na faculdade de Lisboa e, a partir de então, o casamento acabou e divorciou-se. Passados doze anos, Florbela voltou a casar-se, com António Guimarães, alferes da GNR com quem já vivia há algum tempo. Mas, na verdade, não era o homem indicado para ela, tendo personalidade, cultura e certos interesses opostos. A saúde da Florbela, passado algum tempo, debilitou-se sendo ela assistida por um médico chamado Mário Lage e os dois a apaixonaram-se. O marido percebeu e pediu o divórcio. Dois anos depois, casou-se com o médico, mas, ainda além dos três maridos, Florbela teve muitos romances clandestinos.

A sua profunda e permanente insatisfação e os desgostos que sofrera na vida acabariam por conduzi-la ao suicídio. Florbela Espanca morreu a 8 de Dezembro de1930 no dia em que fazia 36 anos.

Exemplos da sua obra:

"... pouco de feminino tenho em quase todas as distracções da minha Vida. Todas as ninharias pueris em que as mulheres se comprazem ... As rendas, os bordados, a pintura, tudo isso que eu admiro e adoro em todas as mãos de mulher, não se dão bem nas minhas, apenas talhadas para folhear livros que são verdadeiramente os meus mais queridos amigos e os meus inseparáveis companheiros ..." (carta)

AMAR (poema)

Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: Aqui… além…

Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente

Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...

Prender ou desprender? É mal? É bem?

Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida,

É preciso cantá-la assim florida

Que se Deus nos deu voz foi p’ra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada,

Que seja a minha noite uma alvorada!

Que me saiba perder… p’ra me encontrar!


AO PAI (poema)

Ter um pai! É ter na vida

Uma luz por entre escolhos;

É ter dois olhos no mundo

Que vêem p’los nossos olhos! (…)


PARA CANTIGAS AO DESAFIO

ELA

“Ó luar que lindo és

Luar branco de Janeiro!

Não há luar como tu

Nem amor como o primeiro”

ELE

Deixa-me rir, ó Maria!

Qual é para ti o primeiro?!

Chamas o mesmo ao segundo,

Chamas o mesmo ao terceiro!

(…)

MAIS POEMAS: http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/florbela.html

LUÍS DE CAMÕES


Coimbra, 1542, Camões estudava no colégio de Santa Cruz: era o que menos estudava e o que mais sabia!

Era um homem romântico, namoradeiro e muito boémio, gostava muito da "malandrice". Viveu numa Era de grandes diferenças, entre os fidalgos e os plebeus.

Em 1545 vai para Lisboa e já é bacharel; meses depois, nos Paços do Rei Rei D.Manuel, conhece a sua grande paixão, Catarina de Ataíde. Era um grande poeta, espontâneo: onde chegava tinha sempre um poema para declamar e era muito aplaudido.

Por causa do "Auto del Rei Seleuco", Camões foi expulso para o Ribatejo, acusado de intrigas contra o rei. Dois anos esteve exilado no Ribatejo, mas os amigos, achando que já era tempo suficiente de exílio, pediram ao Rei a sua volta e Camões voltou para Lisboa.

O corregedor da Justiça prendeu o seu próprio filho com apenas dezoito anos, por desrespeitar a Infanta D. Maria, irmã do rei, indo espreitar à sua janela.

Aproveitando este desacato, a filha do corregedor, movida pelo ciúme, com o apoio de Pero Andrade de Caminha, armou uma cilada a Camões e à Infanta, marcando um encontro na varanda das galés, tendo a Beatriz escrito um bilhete a Camões em nome da Infanta.

Para não ser preso, em 1547, Luís parte para Ceuta onde os mouros formam um ataque e Camões é atingido perdendo a vista, daí este usar uma pala preta. Luís regressa a Lisboa em 1550 e espanta todos ao verem-no cego, usando a pala, mais velho, mudado, não parecendo o mesmo boémio.

Em 1562, no dia da procissão do Corpo de Deus, vendo Camões o homem a quem teria jurado matar por o ter atacado pelas costas, envolve-se em mais uma luta e encontra um oficial de justiça que lhe deu vós de prisão. As mulheres lamentaram e choraram a sua prisão, entre elas a sua amada Catarina de Ataíde, mas foi Beatriz que o libertou da cadeia.

Luís, com os seus amigos, resolvem partir para a Índia com a ordem do Rei. Em 1553 Camões segue a rota de Vasco da Gama andando quinze anos nessa vida, entretanto morre Catarina...

Ao regressar, Luís trás uma linda mulher escrava que morre no naufrágio e, lutando contra a maré, salvou o seu poema maior "Os Lusíadas" a nado, conta a lenda.

Em 1572, os Lusíadas são lidos em Lisboa não tendo sido censurado nada do que lá estava escrito e Portugal fica mais rico. Dão Sebastião fica encantado dizendo que o livro iria com ele para África para nunca esquecer os feitos gloriosos dos portugueses.

Em 1578, a armada de Dão Sebastião vai para Marrocos mas não volta. Começa uma nova fase de Portugal: a decadência. E com ela, a decadência do nosso grande poeta Luís de Camões que morre velho, pobre, só e cansado!


CONCLUSÃO:

Luís de Camões, um homem cem por cento Português...

PORQUÊ? Um homem patriota, escreveu "Os Lusíadas", que contam toda a história de Portugal, os feitos gloriosos dos Portugueses e, em particular, a descoberta do caminho marítimo para a Índia de Vasco da Gama.

Era romântico, escreveu muitos poemas de amor, sobre as mulheres amadas, entre elas o seu grande amor, Catarina de Ataíde.

Era um boémio e tinha uma personalidade forte não se deixando intimidar. Luís de Camões foi um dos maiores escritores portugueses, não só pelo seu talento, mas também pelo seu patriotismo.

Viveu na época do renascimento, no século XV.


Exemplos da sua obra:

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões



Descalça vai para a fonte

Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.

Luís de Camões

Perdigão perdeu a pena

Perdigão perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha.

Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.

Quis voar a u~a alta torre,
Mas achou-se desasado;
E, vendo-se depenado,
De puro penado morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha:
Não há mal que lhe não venha.

Luís de Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões

O dia em que nasci moura e pereça,

O dia em que nasci moura e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar;
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.

A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.

As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.

Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!


Luís de Camões


MAIS POEMAS: http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/camoes.html

"OS LUSÍADAS": http://www.oslusiadas.com/